O seu medo de ter filhos não está ligado ao mundo atual. Você mente pra si mesma dizendo isso, mas na verdade ele está ligado à sua própria criação, às lacunas afetivas que ficaram abertas, às inseguranças que nunca foram nomeadas, à sensação precoce de que o mundo não era um lugar confiável e de que você precisava se virar sozinha.
Você não se sentiu segura e protegida e hoje acha difícil conseguir também fazer isto por alguém, porque ninguém pode oferecer com facilidade aquilo que nunca recebeu de forma estável.
Não posso negar que o mundo jaz no maligno, isso é verdade desde que o homem rompeu com Deus, mas as coisas já estiveram tão ruins quanto hoje, e em muitos aspectos foram ainda piores, especialmente no que diz respeito às condições materiais, à mortalidade infantil, às guerras, às doenças, à fome e à ausência quase total de conforto.
A ideia de que agora o mundo está inviável para a maternidade é uma narrativa confortável, porque desloca a dor para fora e poupa o coração de olhar para dentro. É mais fácil culpar a política, a cultura, a violência, a economia, do que admitir que o medo real é o de falhar, de repetir erros, de não dar conta, de não saber amar corretamente.
Esse medo não nasce da lucidez, nasce da ferida. E feridas não devem governar decisões tão profundas quanto a vida que se transmite. Ouso dizer que ele nasce da preguiça. Afinal, dá trabalho se tornar uma mulher capaz de educar outro ser humano.
Historicamente e antropologicamente, o mundo nunca foi um ambiente seguro para se ter filhos se o critério for ausência de risco. Mulheres pariram durante invasões, epidemias, perseguições religiosas, colapsos sociais, fome extrema e trabalho extenuante. Criaram filhos sem água encanada, sem medicina, sem direitos, sem garantias.
Ainda assim, transmitiram valores, fé, caráter e esperança. Não porque o mundo fosse bom, mas porque acreditavam que o bem precisava continuar existindo apesar do mal. A maternidade sempre foi um ato de resistência, nunca um projeto de conforto.
Quando uma mulher diz que não quer filhos porque o mundo está ruim, muitas vezes ela está dizendo, ainda que sem perceber, que não confia em si mesma, que não confia na própria capacidade de formar alguém melhor do que aquilo que a feriu.
Ela teme gerar alguém para sofrer como ela sofreu. Mas esse raciocínio parte de uma premissa falsa, a de que a história precisa se repetir. Não precisa. O que não foi curado tende a ser repetido, mas o que é assumido com consciência pode ser transformado.
Defender que o mundo está longe de Deus é verdadeiro, mas usar isso como justificativa para não gerar vida é uma contradição interna.
Justamente porque o mundo está longe de Deus é que ele precisa de crianças criadas na verdade, no temor, na ordem, no amor e na responsabilidade.
A ausência de bons homens e boas mulheres não se resolve com desistência, se resolve com formação. O mal não é combatido com fuga, é combatido com o bem vivido no cotidiano, dentro de casas comuns, por pais imperfeitos, mas comprometidos.
A maternidade não é um projeto narcísico de realização pessoal, nem uma extensão do ego. Ela exige sacrifício real, perda de controle, renúncia de ritmos, paciência diante do cansaço, entrega diária sem aplauso. E é exatamente por isso que o ego moderno a rejeita. Uma cultura que idolatra conforto, autonomia absoluta e satisfação imediata vê a maternidade como ameaça. Não porque ela seja ruim, mas porque ela expõe o quanto somos frágeis, limitados e dependentes de algo maior do que nós.
Ter filhos é aceitar que a vida não gira mais apenas em torno de si mesma. É escolher amar alguém que vai exigir tudo sem poder devolver na mesma medida por muitos anos. É atravessar o medo e confiar que Deus sustenta aquilo que Ele mesmo ordenou. Nenhuma mãe se sente pronta. Nenhuma mãe se sente plenamente capaz. A suficiência nunca esteve na mulher, sempre esteve em Deus, que age através de nós!
Vale a pena ser mãe não porque seja fácil, não porque o mundo seja seguro, não porque tudo dará certo, mas porque gerar vida, formar caráter e transmitir fé é uma das formas mais concretas de cooperar com o bem no mundo. Cada criança criada com verdade é um pequeno foco de luz em meio à escuridão. Cada lar ordenado é uma resistência silenciosa contra o caos. Cada mãe que escolhe amar apesar do medo está dizendo, com a própria vida, que o mal não terá a última palavra! Aleluia!
O medo de ter filhos não precisa ser negado, ele precisa ser compreendido e atravessado. Quando a mulher cura a própria história, quando ela se reconcilia com a ideia de que pode fazer diferente, quando ela confia mais em Deus do que em suas próprias forças, o medo perde o poder de paralisar. E então a maternidade deixa de ser uma ameaça e passa a ser aquilo que sempre foi, um chamado exigente, difícil, transformador e profundamente cheio de sentido.
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