Eu costumo dizer que ansiedade não é excesso de futuro. É excesso de si mesma. É a mente girando em torno do próprio umbigo, revisitando sensações, antecipando cenários, tentando controlar o incontrolável, como se a vida pudesse ser resolvida por pensamento repetitivo.
A psicologia moderna sugere que a maioria das situações difíceis femininas se resolvem com autoestima, com mais amor próprio, com mais validação interna, enquanto a filosofia clássica diz que, na verdade, precisamos de menos autoestima. Precisamos de mais realidade.
Eu fico com a tradição porque ela é mais coerente com os dizeres de Jesus.
A ideia contemporânea de autoestima parte do pressuposto de que o sofrimento nasce do fato de a mulher não se achar suficiente, não se admirar o bastante, não se colocar no centro com a devida força. Mas essa leitura ignora algo essencial, quanto mais o sujeito se coloca no centro, mais frágil ele se torna. Quanto mais tudo gira em torno do próprio valor percebido, mais qualquer falha vira ameaça, qualquer rejeição vira colapso, qualquer limite vira injustiça. A ansiedade cresce exatamente aí, quando o eu precisa ser constantemente protegido, reafirmado, inflado.
A tradição filosófica sempre foi mais sóbria. Para ela, o problema humano não é a falta de amor por si, mas o excesso de amor desordenado. Não é o desprezo de si que nos adoece, mas a obsessão por si. Quando tudo passa pelo filtro do que eu sinto, do que eu mereço, do que eu espero, do que eu temo perder, a vida fica pesada demais para ser sustentada. A realidade deixa de ser algo a ser enfrentado e passa a ser algo a ser negociado emocionalmente o tempo todo.
Jesus nunca ensinou autoestima. Ele ensinou verdade, serviço, renúncia e confiança. Não disse “olhe mais para dentro de você”, disse “olhe para fora”, para Deus, para o próximo, para a realidade concreta. Não disse “afirme o seu valor”, disse “quem perder a sua vida por amor a mim, a encontrará”.
A ansiedade feminina moderna tem muito menos a ver com excesso de tarefas e muito mais a ver com excesso de autoobservação. A mulher analisa demais o que sente, o que pensou, o que poderia ter sido diferente, o que o outro quis dizer, o que ela deveria ter feito para ser mais aceita, mais amada, mais validada. Essa vigilância constante do eu cria uma prisão interna. A mente não descansa porque está sempre de plantão defendendo uma identidade frágil.
A filosofia clássica propõe outra saída. Ela diz que a paz nasce quando a pessoa aceita os limites da realidade, reconhece que nem tudo depende dela, que o mundo não gira em torno de suas emoções e que a vida tem uma ordem que não pode ser dobrada à força do sentimento. Isso não diminui a mulher, isso a liberta. Quando ela sai do centro, o peso sai junto.
Mais realidade significa aceitar que haverá frustração, que nem tudo será confortável, que nem toda expectativa será atendida, que nem toda dor é sinal de trauma, que nem todo desconforto precisa ser eliminado. Algumas coisas precisam ser atravessadas. Outras precisam ser suportadas. Outras ainda precisam ser oferecidas a Deus em silêncio. Essa visão não promete alívio imediato, mas constrói estabilidade a longo prazo.
Enquanto a psicologia moderna promete controle emocional por meio de afirmação constante, a tradição ensina algo mais simples e mais eficaz, humildade diante do real, confiança em Deus e responsabilidade pessoal. Não é sobre pensar mais em si, é sobre pensar melhor. Não é sobre se colocar no centro, é sobre encontrar o lugar certo. E esse lugar nunca foi o trono ou o “empoderamento”.
Quando a mulher entende isso, a ansiedade perde força. Não porque a vida ficou fácil, mas porque ela deixou de carregar um peso que nunca foi dela, o de ser o eixo do próprio universo.
Ela descobre que não precisa se salvar, apenas viver com retidão, fazer o bem possível, cumprir o dever do dia, confiar e viver a virtude.
E isso, ao contrário do que dizem, não apaga a mulher. Organiza. Sustenta. E devolve a ela algo que a autoestima inflada jamais conseguiu entregar, paz.
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