A maioria dos homens disponíveis no “mercado” são homens filhinhos da mamãe, por motivos antropológicos, e isso não é um ataque moral aos indivíduos, mas a constatação de um processo histórico, social e familiar que moldou uma geração inteira.
O homem não nasce filhinho da mamãe, ele é formado assim quando a estrutura que deveria conduzi-lo à maturidade falha repetidamente, quando os ritos de passagem desaparecem, quando a autoridade paterna se ausenta ou é deslegitimada, e quando a mãe, muitas vezes sozinha, emocionalmente doente e carente (por causa de sua história) e sem suporte simbólico, ocupa espaços que não deveriam ser seus.
Do ponto de vista antropológico, toda sociedade saudável cria mecanismos claros para separar o menino da mãe e inseri-lo no mundo dos homens. Isso não é crueldade, é civilização.
Em culturas tradicionais, o menino passa por provas, afastamentos, iniciações, confrontos com o medo, com o limite, com a dor e com a responsabilidade. Ele aprende cedo que não é o centro, que o mundo não se adapta às suas emoções, que a vida exige sacrifício e autocontrole.
Quando esses ritos desaparecem, o menino cresce biologicamente, mas permanece psicologicamente ancorado na lógica infantil do cuidado incondicional, da proteção constante e da validação emocional contínua.
Nas sociedades modernas, especialmente nas urbanas e ocidentais, o que ocorreu foi um rompimento quase completo desse processo. O pai perdeu autoridade simbólica, seja por ausência física, seja por desautorização cultural.
A masculinidade passou a ser vista com desconfiança, como algo que precisa ser domesticado, suavizado, neutralizado. Só se lembrar das escolas, foram feitas para meninas, todas elas hoje pedem um comportamento feminino, suave, sem adaptações para estimular a masculinidade dos meninos.
Ao mesmo tempo, a mãe passou a ser o eixo emocional absoluto da casa. Ela protegeu, acolheu, justificou, poupou o filho do confronto com a realidade dura, mimou e mimou até demais!
O resultado disso é um homem que não sabe tomar e nem sustentar decisões. Um homem que busca constantemente aprovação, que teme o conflito, que se paralisa diante da frustração. Que não sabe resolver os BOS da vida. Desesperador!
Ele quer relacionamento, mas foge da responsabilidade. Quer ser honrado, mas não quer pagar o preço de se tornar digno dessa honra. Quer conforto emocional, mas não suporta desconforto existencial. Ele não rompeu simbolicamente com a mãe e não aprendeu masculinidade com o seu pai, então busca nas mulheres aquilo que sempre teve da mãe: facilidade extrema, acolhimento irrestrito, validação automática, adaptação constante às suas fragilidades. Em outras palavras: quer tudo de mão beijada.
Isso se reflete diretamente no chamado “mercado amoroso”. Mulheres adultas encontram homens cronologicamente adultos, mas emocionalmente dependentes. Homens que se ressentem de qualquer exigência, que chamam limites de “pressão”, que interpretam expectativas puras como controle. Homens que querem parceria, mas reagem como crianças quando confrontados. Porque, no fundo, ainda estão operando a partir da lógica do filho, não do homem.
Antropologicamente, quando uma sociedade enfraquece o processo de amadurecimento masculino, ela cria homens prolongadamente infantis e mulheres sobrecarregadas. A mulher passa a exercer funções que não são dela, conduzir, organizar, sustentar emocionalmente, antecipar problemas, mediar conflitos internos do parceiro. Isso gera desgaste, perda de atração, ressentimento mútuo. O homem se sente insuficiente e atacado. A mulher se sente sozinha, mesmo acompanhada.
Sem querer, a própria mulher dá continuidade a este ciclo de sofrimento, ela facilita demais a vida do namorado, que vai se acostumando com as resoluções e não possui força para resolver sua própria vida. No casamento, coitada…
Nada disso é resolvido com discursos rasos sobre empoderamento ou com a demonização do masculino. O problema não é o homem ser homem, o problema é ele não ter sido iniciado na vida adulta. A ausência de limites claros na infância, a superproteção materna, a falta de exigência e de confronto produziram homens frágeis diante da realidade, ainda que performem autoconfiança nas redes sociais.
Enquanto a psicologia moderna e a cultura atual continuar tratando o desconforto como trauma, a exigência como violência e a responsabilidade como pressão, continuará produzindo homens filhinhos da mamãe. E mulheres que, mesmo desejando um parceiro, acabam ocupando o papel de mãe emocional, algo que destrói o vínculo erótico, corrói o respeito e destrói qualquer felicidade a longo prazo.
Entender isso não é atacar mães, mulheres e nem absolver homens de sua responsabilidade individual. É reconhecer que a maturidade masculina exige ruptura, limite e principalmente: frustração…
Sem isso, o homem cresce em tamanho, mas não em estrutura interior. E o mercado amoroso se enche de homens adultos que ainda esperam que alguma mulher os salve do peso natural da vida.
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Um comentário em “Homens Filhinhos da Mamãe: Por Que a Falta de Masculinidade Tem Afetado os Relacionamentos”